Resenha: A Pérola Que Rompeu a Concha {Nadia Hashimi}

by - janeiro 13, 2018

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Quando li a premissa desse livro pela primeira vez, eu sabia, lá no fundo que ele iria me tocar profundamente e me ensinar muita coisa. E foi exatamente isso que aconteceu. Quando cheguei a última página da história eu soube que era uma pessoa diferente de quando abri o livro pela primeira vez, o sentimento de empatia prevaleceu até a  palavra final. E dali por diante, A PÉROLA QUE ROMPEU A CONCHA esta marcado para sempre na minha vida literária.





Rahima aprendeu desde cedo o “lugar” da mulher na sua sociedade. Ela sabia que não pode fazer... ela sabia que não pode querer. Sabia que não haviam direitos, e do pouco que entendia do mundo, e de todos os exemplos que já tinha visto, a única certeza que tinha era que seria moldada para servir, baixar a cabeça e obedecer.
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Porem, a mãe de Rahima nunca se conformou com tal destino para sua filha. Com isso, ela passou a transforma-lá em um menino (pelo menos aparentemente).  Vestia a gatora como menino, cortava o cabelo curto, e a deixava o menos "feminina" possível, e assim, sendo “livre”, ela poderia ir à escola, e sair de casa e andar pelas ruas sem medo. Ao contrário de suas irmãs, Rahima pode sentir, pelo menos uma vez na vida a sensação de “liberdade”.  Só que o tempo passa para todos as garotas, e para a sociedade em que ela vive, isso é o pior que pode acontecer para uma mulher. A medida que ela crescia, se aproximava ainda mais de seu destino, casar-se com um homem bem mais velho, ter filhos, e ser submissa a todas as vontades do marido e de uma vida de opressão. ⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀



Lugar.

Feminina.

Livre.

Liberdade. ⠀


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As palavras que estão entre aspas, que são tão normais para nós, são um verdadeiro sonho para garotas afegãs.  Segundo o dicionário, Liberdade significa o direito de ir e vir, de acordo com a própria vontade. Mas Rahima e suas irmãs não podiam ir e vir, não podiam ter vontade... ⠀
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A pérola que rompeu a concha é um retrato doloroso de uma sociedade opressora, que trata as mulheres como menores e seres inferiores, e que resume suas vidas a ter filhos e servir, sem nunca questiornar. Esse livro trás em suas páginas tantas lições que seria impossível destacá-las aqui. É tão forte, tão real, e principalmente, é tão doloroso. Capítulo após capítulo vamos fortalecendo a ideia que o mundo está cada vez mais desigual e difícil para nós, mulheres.  É um livro acima de tudo necessário, que nos faz refletir sobre liberdade, direitos e o lugar da mulher na sociedade. Uma história para ser lida por todos aqueles que não tem medo crescer emocionalmente. 



A PÉROLA QUE ROMPEU A CONCHA       AUTOR(A)NADIA HASHIMI  EDITORA: ARQUEIRO                          PÁGINAS: 448                                              NOTA:                 “Uma história maravilhosa de resistência em uma cultura que não valoriza as mulheres. A escrita de Nadia Hashimi evoca a de Khaled Hosseini.” – Book Reporter “Nadia Hashimi nos agracia com uma história familiar sensível e bela. Seu cativante relato é um retrato do Afeganistão em toda a sua desconcertante e enigmática glória e um espelho das lutas ainda atuais das mulheres afegãs.” – Khaled Hosseini, autor de O caçador de pipas.   Filhas de um viciado em ópio, Rahima e suas irmãs raramente saem de casa ou vão à escola em meio ao governo opressor do Talibã. Sua única esperança é o antigo costume afegão do bacha posh, que permite à jovem Rahima vestir-se e ser tratada como um garoto até chegar à puberdade, ao período de se casar.Como menino, ela poderá frequentar a escola, ir ao mercado, correr pelas ruas e até sustentar a casa, experimentando um tipo de liberdade antes inimaginável e que vai transformá-la para sempre.Contudo, Rahima não é a primeira mulher da família a adotar esse costume tão singular. Um século antes, sua trisavó Shekiba, que ficou órfã devido a uma epidemia de cólera, salvou-se e construiu uma nova vida de maneira semelhante. A mudança deu início a uma jornada que a levou de uma existência de privações em uma vila rural à opulência do palácio do rei, na efervescente metrópole de Cabul.A pérola que rompeu a concha entrelaça as histórias dessas duas mulheres extraordinárias que, apesar de separadas pelo tempo e pela distância, compartilham a coragem e vão em busca dos mesmos sonhos. Uma comovente narrativa sobre impotência, destino e a busca pela liberdade de controlar os próprios caminhos.

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1 comentários

  1. Oi Ana :D
    Nossa que livro lindo, amei a temática dele sobre "liberdade", não o conhecia, depois da sua resenha vou por em minhas metas de leituras. Acho incrível quando um livro fala tanto assim com alguém. Quero compartilhar disso também rs

    Lindo blog, já segui. bjs ♥

    https://leitoresesuasmanias.blogspot.com.br

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