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A definição do amor: um livro sobre ser humano

4 de novembro de 2018



Certa vez quando eu estava passeando pela loja virtual da Saraiva no ano passado me deparei com livro chamado A DEFINIÇÃO DO AMOR, um título pra lá de clichê, mas com uma premissa tocante. Ele estava na parte dos "recomendados", pois eu estava vendo sobre outra obra que queria comprar, achei a capa muito bonita e cliquei para ler a sinopse. Foi como um tiro no peito! Como alguém pode escrever sobre esse assunto? Era o que eu me perguntava. Fiquei curiosa com a leitura e pesquisei mais sobre a história, mas decidi que não estava pronta para ler naquele momento.

Passou mais de um ano da primeira vez que vi aquele livro, mas ele continuava aparecendo para mim nas lojas virtuais, era como se estivesse pedindo para que eu o lê-se. Então, depois de muito evitar aquele livro eu cedi. E foi uma das decisões mais grandiosas que tomei na minha via de leitora, pois, esse iria ser um dos livros mais verdadeiros que eu iria ler em toda minha vida. Me arrependo de não tê-lo lido antes! 

Mas acredito fortemente que tudo tem seu tempo. E Jorge Reis-Sá fortaleceu essa minha ideia com um livro cruel e fascinante sobre o pequeno instante que é a vida.


Esse é um livro feito de memórias, um diário feito de lembranças bonitas e dolorosas. Francisco e Susana eram felizes, casados e cultivando uma história de amor. 

Mas Susana morre. E continua viva. Ela sofre um AVC, de forma inesperada e arrebatadora, e o motivo de tal coisa é o pequeno sopro de vida que brota em seu ventre, uma criança que nascerá daqui a alguns meses. Uma criança que nascerá sem mãe, que terá um irmão mais velho e um pai desolado pela perda que gerou uma chegada.




"Nada há além de mim, da Susana, do hospital, de uma ideia de família que se esvazia num dia a seguir ao outro."



Susana é mantida viva com ajuda de aparelhos para que possa assegurar a chegada da criança, e durante todos os meses seguintes acompanhamos Francisco em sua busca por paz e quem sabe uma resposta sobre o motivo da vida ser por vezes, tão cruel. São lembranças felizes dos primeiros anos de casados, das noites felizes em que dividiram a mesma cama, do primeiro filho, do casamento. Os móveis, as fotografias, o perfume, a falta. Francisco tenta lidar com a perda ao mesmo tempo em que se prepara para ser pai novamente e para ser mãe pela primeira vez.



"Nego que esta casa esteja vazia. Que apenas eu conte, que ela aqui não esteja para ler uma revista, manter ligada a luz do candeeiro depois de adormecer e, com esse irrefletido e usual gesto, impedir meu sono."


"Esta cama esta cheia de nós. Carrega a memória dos dias e das noites em que aqui fizemos amor"


Esse é um livro cru. Humano. Cruel. Uma narrativa singular sobre como uma pessoa lida com o luto.  Durante toda a história da literatura, a morte tem sido combustível para tantos e tantos livros, eu como leitora voraz já tive a oportunidade de ler algumas histórias sobre tal assunto, mas nunca, nenhuma delas me tocou tão profundamente como esta. Jorge Reis-Sá tem uma escrita poética e cheia de significado, de todos os livros que li em toda minha vida, esse foi o que mais marquei páginas, sublinhei frases e anotei parágrafos, a cada nova página lida, em mim brotava um sentimento desconhecido, que ia de amor, tristeza, esperança e empatia. 


"Pergunto-me muitas vezes como vai ser depois."

Mesmo sabendo que a morte é algo natural, que esse é o ciclo da vida, nós nunca estaremos prontos para perder alguém que amamos. 


"E agora eu sou um cão ouvindo o silêncio do teu coração e enrolado a esta chama que me consome pela tua ausência e minha fraqueza"

Este é um livro sobre a fragilidade da vida, sobre o luto e a dor da perda. Um relato fascinante que mostra o quanto somos vulneráveis. Uma história para todos aqueles que não tem medo de crescer emocionalmente e uma das leituras mais incríveis que já tive em toda a minha vida .


"Somos feitos do que lembramos, penso"






AUTOR(A): JORGE REIS-SÁ
EDITORA: TORDSILHAS
PÁGINAS: 253
NOTA: 5/5 + FAVORITO
Numa pequena cidade portuguesa, Susana sofre um AVC. Os médicos decretam sua morte cerebral ao mesmo tempo que anunciam sua gravidez de doze semanas – causa provável do acidente vascular. Francisco, o marido, começa então o diário do seu luto, que vai de maio a outubro, porque decidem não interromper a gestação. Francisco falará então do que é viver a morte anunciada, com todas as circunstâncias que o levaram até ali e que diariamente tem de enfrentar. Entre cada um dos meses, uma véspera se anuncia. Cada uma delas é composta por uma carta, cujo conjunto percorre trinta anos da vida de pessoas ligadas intimamente ao casal e vai explicar muito do que agora se passa. 
Comentários
18 Comentários

18 comentários :

  1. Oi Ana,
    Alguns livros precisam ser lidos no momento certo, não é? Eu ainda não conhecia essa obra, mas achei a proposta dele muito interessante, principalmente, pelo tema que ele aborda e pela forma crua como tudo parece ter sido desenvolvido.
    Só que sinto, no entanto, que nesse momento, não estou preparada para lê-lo.
    Por óbvio, vou anotar a dica.
    Adorei sua resenha sincera e tocante.
    Beijos

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá!
    Acredito que cada livro tem mesmo o seu momento e essa seria uma leitura que eu ainda não conseguiria fazer. A fragilidade dos personagens, a realidade nua e crua, o luto, a dor constante, enfim, gostei muito da dica, quem sabe eu leia no futuro. Fico feliz que você tenha gostado e entrado para a sua lista de favoritos.
    Bjs.

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  4. Olá, tudo bem? Eu não conhecia esse livro antes de ver tu falando dele, e confesso que fiquei bem curiosa para ler. Parece ser uma leitura bem pesada, mas que só tem a acrescentar em nossas vidas. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  5. Olá Ana,
    que resenha linda, soa quase como poesia. Enquanto lia seu texto me permiti mergulhar de coração na história dessa família devastada que em meio a perda recebe a chace de vislumbrar uma luzinha no fim do túnel, não dúvidas de que se trata de uma história comovente e embora esta seja a primeira vez que leio algo a respeito desse livro, não tenho dúvidas de que essa é uma leitura que preciso fazer.

    Abraços!
    Nosso Mundo Literário

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  6. Oi, Ana! Sua resenha me surpreendeu, o livro tem uma carga emotiva muito forte, à primeira vista também achei que seria um romance mais clichê, mas nunca pensei que fosse uma história frágil como essa.
    bjs
    Lucy - Por essas páginas

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu acho mesmo que cada livro tem seu momento certo para ser lido. Fico feliz que você tenha resolvido fazer essa leitura na hora certa e tenha gostado tanto do livro. O livro traz um tema bem difícil e achei interessante o fato de ser uma abordagem tão real e crua.
    No entanto, confesso que não sinto que é uma leitura que me agradaria agora. Ando querendo livros que me tirem da realidade um pouco, então, acho que não é o momento ideal para tentar essa leitura.
    Mas adorei sua resenha e fico feliz que tenha gostado tanto do livro.
    Beijos!

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  8. Menina ,amei seu blog viu?
    Me surpreendi com o conteúdo maravilhosa que vi aqui!
    O nome foi o que mais me chamou atenção e me atraiu rapidamente para cá,irei sem dúvidas acompanhar tudo aqui!

    Estou te seguindo,siga-me também!
    Beijinhos
    Tem post novo no blog : blogaquelaflor.blogspot.com

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  9. Eu ainda não conhecia e achei incrível a ideia do livro. O luto é sempre um período difícil em nossa vida. Tenha um ótimo dia, beijos!

    Blog Paisagem de Janela
    www.paisagemdejanela.com

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  10. Nossa, que dica maravilhosa. Eu ainda não conhecia esse livro e suas impressões sobre ele me deixaram interessada em realizar a leitura, parece ser um livro carregado de sentimentos intensos.
    Obrigada pela dica

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  11. Não é uma leitura que me atraia para ser sincera, mas eu sinceramente amei poder conferir sua resenha, eu achei lindo e tocante, mas é como eu disse não me sinto atraia, não neste momento mas posso e vou recomendar para amigos que sei que vão amar, pois eu sinto que é sim uma leitura que tem que ser feita.

    Beijos

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  12. Oi Aninha, sua linda, tudo bem?
    OMG!!! Meus olhos estão cheios de água. A vida sabe ser cruel mesmo, aceitar a morte de uma pessoa amada é tão difícil, mas ela estando grávida? Minha vontade foi gritar: não é justo! Não é justo um filho nascer sem sua mãe, um marido e um filho perderem a esposa e mãe. Mesmo sabendo que ficarei arrasada, preciso ler esse livro. Adorei sua resenha!!!
    beijinhos.
    cila.

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  13. nao tenho estrutura pra ler um livro assim, mas acabo lendo
    achei bem interessante e um tema bem complexo

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  14. Oi Ana,
    Que história mais triste! O problema de mantê-la viva por esse tempo, é o marido e o filho terem que olhar para ela todos esses dias e saber que nunca mais a terão. Deve ser uma leitura que doi. Dica mais do que anotada. Parabéns pela resenha, adorei.
    Bjs.
    Pri.

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  15. Olá Ana, eu não conhecia esse livro, mas pelos seus comentários o enredo parece estar muito bem trabalhado pelo autor, de uma forma bem real, crua e tocante *-* Adorei a dica, espero poder lê-lo também em breve.

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