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O Último Adeus, e tudo o que vem depois do suicídio

25 de novembro de 2018



"Desculpa, mãe, mas eu estava muito vazio.” – Tyler 



Gostaria de começar esse post dizendo que não escrevo ele tão feliz assim, apesar desse livro ser um dos meus favoritos, o motivo pelo qual resolvi falar sobre ele tanto tempo depois de ter lido não é tão bom. 


O Último Adeus conta a história de Alexis, e como sua vida esta sendo após a morte de seu irmão. Ty cometeu suicídio, disparou um tiro na própria garganta, na garagem de casa. 




Esse livro é quase um diário, em algumas partes esta inteiro, em outras machucado demais para formar um paragrafo sequer. A mãe de Alexis continua vivendo, mas apenas fisicamente, ela vive a base de calmantes e em algumas noites pode jurar que vê o filho de volta a casa. Com isso, além da culpa que ambas carregam por não terem percebido os sinais de que Ty havia deixado, as duas tentam aprender a conviver com a saudade, ao mesmo tempo em que tentam reconstruir o que um dia já foi uma família.

Eu li esse livro no inicio de 2017, sem pretensão nenhuma de gostar e acabei me apaixonando pelo coração partido de Alexis e por tudo o que esse livro representa. O Último Adeus foi um dos livros que mais me fez crescer emocionalmente na minha vida como leitora, e eu serei sempre grata a Cynthia Hand por ter escrito cada uma dessas palavras.

Esse é um livro que, acima de tudo, fala sobre o "depois", pois é a isso que se resume o suicídio. O instante em que a vida se vai por vezes é rápido, em algumas momentos mediano, mas nunca longo demais. Mas o "depois" dura uma eternidade, assim como as lembranças e infelizmente... a culpa. E eu sei que demorei demais para escrever sobre esse livro, mas eu acredito fortemente que tudo tem seu tempo, e acho que a hora de falar sobre essas dores chegou.




Hoje é domingo, 25 de novembro de 2018, eu estou de folga do trabalho, tentando dormir após o almoço, mas não consigo. Pode até parecer apelativo da minha parte, para que as pessoas pensem "nossa, ela devia estar sentindo algo muito forte para escrever esse post", mas eu realmente estou sentindo um certo incomodo nesse momento e confesso que estou escrevendo isso com o coração apertado, por todas as pessoas as quais não tive a chance de conversar.

O motivo pelo qual estou fazendo esse post é assustador para mim, na última semana tenho visto tantas notícias de casos de suicídio, tantos perfis no facebook virando memorial que eu me peguei refletindo sobre muita coisa. 

E sabe o que mais me deixe triste com isso tudo? É que nós, seres humanos, somos uma raça que por natureza guarda sentimentos ruins demais dentro de nós. Cada notícia que li essa semana sobre um jovem que cometeu suicídio veio acompanhada de uma enxurrada de mensagens de luto, de amigos e familiares, de pessoas que eram próximas e que na grande maioria das vezes sabiam das intenções da pessoas de dar um fim a própria vida, mas dava risada daquilo, fazia chacota, achava que era só mais um adolescente querendo chamar atenção. Mas não era!

Nas redes sociais é muito fácil fazer campanha do setembro amarelo, é lindo! Subir hashtag no twitter, fazer post no facebook, usar blusa da cor no trabalho, mas quando partem para a vira real é que percebemos o quanto essa parte de nós falhou na nossa evolução.

E digo isso porque sei, porque eu já fui dessa maneira, eu achava que todo jovem que se cortava, que postava status dizendo que esta triste e que queria se matar era bobeira, sempre achei que era alguém querendo chamar atenção, até que eu me enganei e não foi de uma forma bacana!

Ser empático não é postar frase reflexiva para ganhar likes nas redes sociais, não é dizer que "é uma fase" a tristeza que alguém esta passando. A falsa empatia pode lhe render muita fama de humano, mas a sua consciência sempre vai saber quando o que você fizer não for o bastante.

É preciso ouvir. Ouvir de verdade. Perguntar se esta tudo bem, se a pessoa esta precisando de algo. Converse, apoie, elogie, diga "bom dia" para alguém que esta de cabeça baixa, diga para sua amiga o quanto ela é linda e que ela não precisa estar dentro dos padrões de beleza para ser incrível, fale para o seu colega que a forma como ele ama não o faz uma pessoa ruim. Seja humano com quem precisa, mas seja humano de verdade, em carne, osso e alma. Faça parte da VIDA das pessoas. É só isso que importa no final das contas.







O ÚLTIMO ADEUS
AUTOR(A): CYNTHIA HAND
EDITORA: DARKSIDE BOOKS
NOTA: 5/5 + FAVORITO

.A autora de fantasia que está encantando leitores com a força de sua escrita lança seu primeiro romance contemporâneo – uma trama comovente e impactante situada nos dias de hoje. Depois de sucessos internacionais como a saga Sobrenatural, Cynthia Hand demonstra todo o seu talento numa história sobre perda, culpa e superação. O Último Adeus é narrado em primeira pessoa por Lex, uma garota de 18 anos que começa a escrever um diário a pedido do seu terapeuta, como forma de conseguir expressar seus sentimentos retraídos. Há apenas sete semanas, Tyler, seu irmão mais novo, cometeu suicídio, e ela não consegue mais se lembrar de como é se sentir feliz. O divórcio dos seus pais, as provas para entrar na universidade, os gastos com seu carro velho. Ter que lidar com a rotina mergulhada numa apatia profunda é um desafio diário que ela não tem como evitar. E no meio desse vazio, Lex e sua mãe começam a sentir a presença do irmão. Fantasma, loucura ou apenas a saudade falando alto? Eis uma das grandes questões desse livro apaixonante. O Último Adeus é sobre o que vem depois da morte, quando todo mundo parece estar seguindo adiante com sua própria vida, menos você. Lex busca uma forma de lidar com seus sentimentos e tem apenas nós, leitores, como amigos e confidentes.



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Comentários
23 Comentários

23 comentários :

  1. Um livro triste demais. Mas uma realidade nesta vida...

    Hoje : As palavras ternas do meu dicionário

    Bjos
    Votos de uma Segunda-Feira

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  2. Eu li este livro no setembro amarelo e foi uma leitura bem difícil de fazer.
    Gostei MUITO da forma que o assunto foi abordado e apesar do incomodo e da dor no coração, é uma leitura necessária e urgente.

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    1. sim, é difícil de ler, e mais difícil ainda de sair da nossa memória!

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  3. Olá,
    Esse livro esta na minha lista de leituras imediatas por se tratar sobre suicídio e que muitas vezes somos incapazes de notar quando alguém tá gritando por socorro acho esse livro muito importante assim como seu post para nos lembra que o suicídio não acontece só em setembro mais sim diariamente devemos ter empatia pelo outro e pela dor do outro

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  4. Esse é um dos meus livros favoritos da vida, tanto é que hoje é objeto da minha pesquisa na iniciação cientifica, acho muito interessante a maneira como a autora mostra como Ty deixou diversos "post it" antes de finalmente se suicidar, ele deu todos os sinais, teve uma tentativa anterior, se afastou e etc, precisamos ser mais atenciosos com quem temos por perto.

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    1. isso mesmo, precisamos parar de achar que tudo é frescura!

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  5. Não sei se esse é um livro que eu leria, pois infelizmente já vivi situações iguais a dos personagens e emocionalmente isso acaba comigo, acho que é algo que nunca superamos por completo, então ler essa sua resenha me deixa de coração apertado também. Mas concordo com cada uma de suas palavras, sobre as hastag e a realidade tão controversa, então quem sabe um dia eu supere e consiga ler sobre isso.

    Abraços.
    https://acabinedeleitura.blogspot.com/

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    1. espero que fique tudo bem com você, que seu coração consiga seguir em paz <3

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  6. Quando eu li este livro, ele foi uma grande surpresa para mim. É uma leitura impactante e muito real, e se trata como você mesmo disse do "Depois". É realmente um livro que mostra o quão as vezes não enxergamos as pessoas ao nosso redor, subir hashtags é legal mas seria mais legal ainda olhar para as pessoas ao nosso redor e cuidar delas. Parabéns pelo post!

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  7. Oi Ana, me arrepiei com tuas palavras, realmente é muito triste ver uma vida ceifada porque talvez faltou só alguém para perceber o que estava acontecendo. Eu quero muito ler este livro, até já tenho ele. Tua resenha ficou ótima, mas não foi só isso, a forma como tu colocou no final está me fazendo parar para refletir. Obrigada pelo post.
    Bjos
    Vivi

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    1. fico imensamente feliz que tenha gostado <3 obrigada por seu comentário!

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  8. Gostei muito do seu post e de ver a sua coragem para postar esse desabafo. As pessoas hoje em dia estão muito voltadas para o próprio mundinho e esquecem das pessoas que estão ao seu redor precisando de ajuda. Tenho visto muitos casos de suicídio também e me assustou muito o fato de algumas pessoas falarem "só queria chamar atenção", "Ah, que besteira", "Covarde"... falta muita empatia nesse mundo.

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  9. Olá!
    Vou começar dizendo que você me emocionou. Não porque você colocou um texto cheio de mensagem, mas porque consegui sentir a sua preocupação nesse texto, algo genuíno que me fez pensar no que eu fiz e deixei de fazer e no quanto, nos momentos que claramente estão um pouco mais pra baixo que o normal, algumas pessoas se aproximam e fazem exatamente isso que falou.
    Muito mais do que um livro, é muito bom quando a sua mensagem nos toca e muda nossa vida. Obrigada!

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    1. que bom que gostou. fico feliz que tenha parado pra pensar <3

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  10. Oi, tudo bem?
    Eu estou com esse livro há uns dois anos na estante e ainda não tive coragem de ler. Pelo tema, acredito que seja uma leitura bastante dolorosa e que deve ser feita no momento certo. Ainda não me senti preparada para ler, então, vou deixando ele na estante enquanto isso.
    No entanto, amei seu post! Você foi além de falar sobre o livro e trouxe uma questão muito importante. As pessoas falam muito sobre o setembro amarelo e sobre a importância de ouvir quem tem depressão. No entanto, quando uma pessoa próxima a elas está precisando de apoio e de alguém para ouvi-la, nunca estão dispostos ou não levam a sério os pedidos de ajuda. Acredito que as pessoas precisam fazer menos discursos bonitos nas redes sociais e começarem a realmente enxergar quem está a sua volta. Muitas vezes, têm pessoas próximas que estão precisando muito de ajuda e nós só percebemos quando já é tarde.
    Parabéns pelo post!
    Beijos!

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    1. aaaaah, obrigada pelo seu comentário lindo. fico feliz que tenha gostado <3

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  11. Olá, eu tenho esse livro mas ainda não li, sick lits são meus livros favoritos por nos fazerem entender certos sentimentos. Seu post ficou ótimo e nos traz essa reflexão sobre o que podemos de fato fazer no dia-a-dia para evitar que mais pessoas sofram como a personagem do livro.

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  12. Olá, tudo bem? Confesso que justamente por alguns dos motivos que você citou, passo longe de algumas leituras que retratam o suicídio ou algo envolvendo. Não afirmando que seja este caso, mas acho que às vezes o assunto é levado de forma leviana, o que é longe de ser. Concordo totalmente que ainda falta muito pro ser humano que nunca passou por esse carrossel de emoções entender realmente que problemas psicológicos não é drama. Enfim, quem sabe um dia eu tente ler ele, pois é algo que me abala MUITO e é gatilho pra diversas problemas. Ótima resenha, ótimo alerta, ótimas palavras!
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com.br

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