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Confesse | Colleen Hoover e os laços que nem sempre são amorosos

18 de fevereiro de 2019




Mais uma vez cá estou eu, encantada e com um coração levemente partido por um livro da Colleen hoover

Confesse foi publicado aqui no Brasil em 2017, e de lá pra cá eu acho que devo tê-lo lido umas quatro ou cinco vezes, e em todas elas sai com a certeza que a CoHo é sem dúvida uma das minhas autoras preferidas.


Devo dizer que poucas vezes li um prólogo que fosse tão intenso e devastador e apesar de não ler muitos romances como na época em que tinha meus quinze anos, toda vez que leio um dos livros da Colleen, me sinto de certa forma vulnerável e sempre termino refletindo sobre vários aspectos da minha vida. No caso de Confesse são abordados temas como família, mas não a família "comum", amorosa, unida, mas sim a dificuldade de conviver com algumas pessoas por obrigação, sobre os laços que muitas vezes nos impedem de sermos nós mesmos e que nem todas as relações familiares são um mar de rosas. Fala sobre a incapacidade de uma mulher que esta vivendo um relacionamento abusivo e de como ser mãe pode tornar uma pessoa vulnerável a vivenciar algo desse tipo.




Como eu disse mais em cima o prólogo do livro é extremante doloroso, nele conhecemos Auburn que é nossa protagonista. 

Nas primeiras páginas ela tem quinze anos e esta se despedindo do primeiro amor de sua vida que esta doente e prestes a partir. E para ser sincera o que mais me tocou foi a forma como a autora usou as palavras. Todos nós temos/tivemos um grande amor na adolescência, amor esse que as vezes da certo e fica para a vida toda, outras vezes não, só que esse rompimento nem sempre sara com o tempo. E foi nessa perda que a Colleen colocou uma carga sentimental que me fez repensar uma coisa que eu sempre digo "na adolescência somos dramáticos demais, achamos que tudo é o fim do mundo", e isso talvez seja verdade, mas se deve ao fato de que quando somos jovens ainda não passamos por determinadas situações, só que no caso da nossa pequena protagonista não importaria quantas vezes ela passasse por aquilo, porquê ninguém nunca vai estar preparado para perder alguém que ama.

Depois, acompanhamos sua jornada como mulher e mãe, em busca de estabilidade em sua vida para que possa trazer seu filho para perto de si. 

É, falar dos livros da Colleen nunca é fácil, sempre acho que eles são complexos a um ponto que quase me fazem perder a cabeça escrevendo uma resenha, e acho que isso se deve ao fato de que a autora é muito real em seus enredos, você provavelmente já conheceu alguém ou sabe de alguma história parecida, é fácil se identificar e tomar as dores dos personagens. 

E por falar em tomar as dores, o primeiro ponto e que mais  me fez refletir foi a abordagem que a Colleen faz sobre maternidade na adolescência. Todos nós sabemos que isso é muito comum hoje em dia, e é ai que ela pisa na ferida, o fato de uma adolescente engravidar tão cedo faz com que ela se torne um ser humano vulneral aos que estão ao seu redor, e isso se apresenta na personificação da avó do filho de Auburn, que se aproveitou de toda a situação para ter a guarda da criança (eu não gostaria de usar essa palavra, porem, não consigo encontrar nada mais adequado). 

Agora, alguns anos depois, ela se vê presa a uma família pela qual não consegue nutrir sentimentos, uma família que faz de um laço que deveria ser amoroso e acolhedor, algo sufocante e doloroso.

Nesse cenário caótico Auburn conhece Owen, bonito, encantador, um admirador de pequenos detalhes, que faz seu coração palpitar como ela não pensou que ainda pudesse sentir. Mas esse mesmo coração se vê entre sua felicidade e a chance de ter o filho em seus braços. Uma mulher fadada a viver um relacionamento com um homem que não ama para poder ter algumas migalhas daquilo que deveria ser um direito.

Segundo ponto: relacionamento abusivo. É sempre doloroso acompanhar trajetórias como essa, assim como em É Assim que Acaba, senti um nó na garganta em diversos momentos da leitura. É real demais para ser alheia a tais coisas.

E você deve se perguntar sobre o título do livro. 

Confesse.

Ou não. Você não precisa, mas talvez tenha vontade.

Owen, o homem pelo qual Auburn pode estar apaixonada pinta quadros inspirados em confissões anônimas, desde declarações de amor, até a segredos sombrios e devastadores.







E a maior luta que eu encontrei nessas páginas foi a que a protagonista trava contra si mesma para provar ao mundo que é capaz de ser mãe e de lutar por aqueles que ama.

Confesse é um livro frágil, cheio de desespero e dor, que tocou meu coração profundamente, exatamente da forma que Colleen Hoover sempre faz comigo. É uma história sobre o quanto os laços familiares podem ser dolorosos, é um livro que quebra o mito de que "família é família", porque sendo bem sinceros, todos nós sabemos que a definição de tal instituição esta a tempos saturada. Você pode muito bem ter o sangue de alguém correndo em suas veias, e ainda sim não ama-lo. 

CoHo aborda com delicadeza a gravidez precoce, expondo os medos e anseios de todas as mulheres que engravidam jovens demais. A autora mostra ainda como a justiça é falha em muitos aspectos sobre a guarda de menores e até mesmo em questões como adoção. 

Com o que eu poderia declarar facilmente como um dos prólogos mais arrebatadores que li em minha vida, e um dos enredos mais reais que já conheci, Colleen Hoover leva o leitor para dentro de uma espiral de sentimentos desordenados, tratando de assuntos que ainda são uma ferida aberta em nossa sociedade.


Acredito que todo mundo com um coração deveria ler esse livro, ele é real o suficiente para que você termine a última página e reflita sobre família, amor e sobre aqueles com quem você pretende dividir a sua vida.



Um romance sobre arriscar tudo pelo amor ― e sobre encontrar seu coração entre a verdade e a mentira. Da autora das séries Slammed e Hopeless. Auburn Reed perdeu tudo que era importante para ela. Na luta para reconstruir a vida destruída, ela se mantém focada em seus objetivos e não pode cometer nenhum erro. Mas ao entrar num estúdio de arte em Dallas à procura de emprego, Auburn não esperava encontrar o enigmático Owen Gentry, que lhe desperta uma intensa atração. Pela primeira vez, Auburn se vê correndo riscos e deixa o coração falar mais alto, até descobrir que Owen está encobrindo um enorme segredo. A importância do passado do artista ameaça acabar com tudo que Auburn mais ama, e a única maneira de reconstituir sua vida é mantendo Owen afastado.


Ps: venho tentando escrever sobre esse livro já faz um tempo, mas nunca conseguia colocar as palavras em ordem. Sempre achei a ideia de Confesse muito original, e principalmente inspiradora, visto isso, decidi mergulhar mais fundo no enredo criado por Colleen para essa história. Eu criei um formulário no Google, bem simples na verdade, onde as pessoas poderiam escrever qualquer coisa que quisessem, sem julgamentos e de forma anônima. Algumas das confissões me deixaram extremamente feliz, outras partiram meu coração, e isso tudo me fez ter a certeza que os livros, por mais fantasiosos que alguns sejam, carregam muita realidade em sua essência. 

Deixarei abaixo algumas das confissões que recebi, foram muitas, mais do que eu imaginava, e eu espero, do fundo do coração que todos vocês fiquem bem <3

obs: as confissões estão exatamente da forma como foram enviadas.

"Eu nunca fui fiel a nenhum dos meus namorados"


"Dou muita importância ao que as pessoas falam sobre mim. Como sou idiota, me policio sempre. Preciso mudar!"

"Sou uma pessoa que tenta ser segura e confiante. Mas quase sempre fracasso e me culpo por não ser da forma que julgo ser “o ideal”

"Tenho medo de estar viciado em Rivotril."

"Se o meu sorriso mostrasse o fundo da minha alma, muitas pessoas ao me verem sorrindo, chorariam comigo, não sei porque minha vida é tão difícil, cheio de altos e baixos, chegou um momento que eu não pense a em nada e nem ninguém, cheguei a ficar com depressão, cortar os braços e até às mãos, mais é uma fase da vida, quando a dor não cabe mais no peito, ela transborda por todos os lugares principalmente pelos olhos, porém, nunca fui de chorar, chorava apenas nos momentos mais difíceis onde não conseguia mais segurar a tristeza que havia em meu peito, pois pra mim, é muito difícil demonstrar o que sinto, me sinto inseguro de se abrir com alguém, demonstrar meu medo, minha paixão, minha alegria, minha tristeza, meu afeto pelo próximo, sou uma pessoa muito legal de se conhecer, porém, as pessoas me desmerecem antes de me conhecer, de todos os anos da minha vida, eu só chorei uma vez, que foi quando eu me apaixonei pela primeira vez, (jovem sendo jovem), enfim, sempre demonstrava meu interesse, fazia de tudo para ela gostar de mim, mais nada adiantava, até que um dia, parei de ser besta é fui curtir, pegava as meninas que tinha na frente, não tava ligando, até perceber que eu era um besta é idiota, que se achava que pegando várias ficaria tudo bem, mais não ficou pior, ficava com uma no dia no outro estava sozinho, foi aí que percebi que ninguém merece ficar sozinho, apesar de tudo que fazemos e fizemos, não merecemos ficar sozinhos foi aí que me aquetei e estou em busca de um amor de verdade, penso que tudo que passei de ruim é que estou passando ainda é que Deus sabe de tudo e que se ele está dificultando a minha vida, é que ele confia que eu aguento a caminha até o fim. Bom não sou muito bom com palavras, mais me esforcei para contar essa parte da minha vida que nunca contei pra ninguém."

"estou em um relacionamento de quatro  anos, sei q ele me trai constatemente, mas tenho medo de deixa-lo e ele fazer alguma coisa cmg, sempre q falo em terminar ele me ameaça, n sei oq fazer, oq mais doi e que eu ainda o amo"

"Eu odeio o meu corpo, e não importa o que as pessoas digam, eu vou sempre ficar triste ao ver meu reflexo no espelho"

"sinto falta da minha mãe, nunca fui um filho presente e hj me arrependo de nunca ter dito a ela q a amava, hoje ela partiu e eu fiquei sozinho, queria poder mudar o passado"


"Estou vivendo um relacionamento tóxico e destrutivo. Contudo, ainda não tenho emocional para quebrar os laços (ou algemas)."

"me disseram q eu era carente , eu ri na hora e desdenhei, mas a verdade é que eu sou as vezes. moro longe da minha família e os poucos bons amigos que tenho tem suas vidas p seguir, n posso aluga-los 24h por dia. tem dias como hj q eu só queria uma pessoa p contar como foi a droga do meu dia, falar da música nova q eu estou ouvindo, só p eu n me sentir tão sozinha quando for dormir"

"eu tenho medo de dormir de luz acessa, as lembranças do meu pai batendo na minha mãe ainda me assombram, mesmo depois de ele ter morrido"

"Sou apaixonada por alguém próximo a mim, somos amigos, mas ele ama outra pessoa. Ser o cupido deles parte meu coração. Todo santo dia"

"Trai a pessoa q eu amo, e ñ consigo me arrepender de ter feito isso"


Comentários
17 Comentários

17 comentários :

  1. Bom dia. Adorei a publicação :))


    Bjos
    Votos de um óptima Terça - Feira.

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  2. Não conhecia mas parece ser maravilhoso.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.com/

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  3. Oi.

    Apesar desse não ser um dos preferidos, eu adorei a história do livro e me emocionei muito com o drama dos personagens.

    Beijos,
    Dani - www.paixaoemlivros.blogspot.com

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  4. Olá Ana, não conhecia o livro nem a autora, mas achei a história bem legal e fiquei com vontade de ler o livro. Ótima resenha!

    bjs

    Ariadne ♥
    De volta ao retrô | Facebook | Instagram

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  5. Oi Aninha,tudo bem?
    Que resenha impecável! Estou de boca aberta de como você escreve bem.
    Eu já conheço essa autora,mas nunca cheguei a ler um livro dela. Depois dessa resenha fiquei tentada a ler,vou procurar.
    bj.
    http://blogcarolarruda.blogspot.com
    @blogcarolarruda

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  6. A CoHo e minha autora preferida, inclusive nesse momento estou lendo um livro dela As Mil Partes do Meu Coração, e estou amando, se você ainda não leu, recomendo a ler, pois traz algumas questões como a de Confesse. Como mentiras, segredos, e relacionamento familiar conturbado. E como as vezes os laços familiares podem te limitar te definir, e mais ainda influenciar o futuro das pessoas. Gostei muito desse livro, e a minha leitura foi muito rápida e envolvente. Fora que já nas primeiras páginas ela me arrancou boas lágrimas.

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  7. Olá, tudo bem? Eu só li um livro da Colleen Hoover até agora, mas já deu para perceber o quanto ela gosta de brincar com os sentimentos dos leitores, hehe. Esse livro eu sou doida para ler, pois parece ser bastante incrível e arrebatador. Amei tua ideia de ter criado o formulário no Google para confissões anônimas, e as confissões foram muito impactantes mesmo. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  8. Oiii Ana

    Resenhar um livro da Colleen é sempre dificil porque essa é uam autora que sabe deixar transparecer tantos sentimentos em seus livros e são sempre intensos, daqueles que a gente nunca consegue indiferente. Tenho Confesse pendente pra ler há um tempo já, mas estou esperando o momento certo sabe? Acho que tb vou amar esse livro.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

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  9. Olá,
    Acho legal quem consegue tirar tanta coisa de uma história. Essa autora não faz meu gênero então eu realmente não gosto muito dos livros dela, mas sei que muitos gostam e respeito isso.

    Debyh
    Eu Insisto

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  10. Oi, tudo bem? Ainda não li nada da autora, mas quero começar, pois vejo muita gente apaixonada pelas narrativas dela. Adorei a sua atitude de colher confissões, acho que todos temos segredos e coisas que não revelamos às pessoas, né? Não sei se começaria por esse livro, mas sei que todos têm uma carga emocional bem intensa, então é meio impossível de fugir rs. Adorei a sua resenha e que bom que conseguiu escrevê-la. Eu sempre demoro para escrever resenhas de livros que amei demais (às vezes nem chego a escrever, pois impossível rs).

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  11. Recentemente conheci a escrita da autora com o livro Tarde Demais e me apaixonei, agora quero ler tudo dela. Gostei dos temas abordados por ela nessa obra e te entendo quando diz que falar sobre os livros dela não é fácil. Eu nunca consegui resenhar Tarde demais e adorei conferir sua opinião sobre Confesse, preciso mesmo ler mais esse livro dela.

    Abraços.

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  12. CoHo sempre destrói o nosso coração, né? Fico impressionada demais com isso, apesar de Confess não figurar entre meus livros favoritos, reconheço quão tocante ele é e como ele fala de assuntos muito necessários, espero que esse ano ela lance ainda mais coisas! Adorei as fotos, você é sempre maravilhosa.

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  13. Oi Aninha, tudo bom?

    Gente CoHo simplesmente desgraça a gente, só de ver a capa desse livro já lembro das mil emoções que senti lendo esse livro, pelo amor de Gee.zus viu haha Esse foi um dos meus preferidos dela, não consigo superar.

    --
    Tiffannyk
    #thereviewbooks | @thereviewbooks
    http://thereviewbooks.com.br

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  14. Eu gosto dos livros da autora, não li muitos, na verdade só li 2 em parceria com outra autora, mas ainda assim sempre vejo elogios para os livros dela. Esse parece ser uma trama bem pesada e uma leitura e tanto. Achei interessante você criar o formulário e fiquei com o coração apertado com algumas mensagens que você recebeu.

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  15. Oi, tudo bem?
    Para mim também foi muito difícil resenhar Confesse, é uma leitura incrível do jeito que só a Colleen consegue nos proporcionar, sempre com seus personagens reais e situações mais reais ainda! Eu me apaixonei pelo protagonista da história e o seu talento! É um livro que irá ficar sempre na minha memória <3

    Beijos,
    Eli - Leitura Entre Amigas
    http://www.leituraentreamigas.com.br/

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  16. OLá, tudo bem? Adorei a sua resenha! Já li esse livro da autora e é um dos meus preferidos, justamente pela delicadeza da autora em trazer assuntos sérios mas debatido da forma correta. Sua resenha e quotes só me lembrou de quando li! Adorei <3
    Beijos,
    http://diariasleituras.blogspot.com

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  17. Olá Ana, tudo bem?
    Menina, os livros da Colleen são bem intensos e sufocantes né? O último que li foi "Tarde Demais" e nossa como foi difícil a leitura, ler sobre abuso, sobre a infelicidade das pessoas devido as sua escolhas ou até mesmo forçadas a fazer e serem algo é triste demais. Eu ando evitando esses livros, pois a nossa realidade ta demais né, e sempre que leio esses livros fico ainda pior. Mas mesmo assim continua na minha lista e espero poder ler esse ano. ótima resenha!

    Beijos!

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